quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017


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terça-feira, 10 de março de 2015

A ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NAS HABILIDIDADES COGNITIVAS NA TERCEIRA IDADE

A ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NAS 

HABILIDIDADES COGNITIVAS NA TERCEIRA 

IDADE

RESUMO

A ação psicopedagógica atua positivamente nas habilidades cognitivas e na 

aprendizagem na terceira idade. Neste trabalho, discutimos como o tempo 

cerebral (do recém - nascido ao idoso) influencia cada fase da vida. Nossa 

revisão bibliográfica demonstra que, apesar da perda de neurônios ser 

considerável ao longo da vida, na terceira idade há a possibilidade de novos 

aprendizados. Nesse sentido, descrevemos o papel do Psicopedagogo na 

mediação do processo permanente de aprendizagem do ser humano. Os 

trabalhos revisados constatam que intervenções realizadas pelo 

Psicopedagogo podem auxiliar na transformação cerebral e social do idoso. A 

terceira idade é uma etapa para vivenciar, investir, apropriar-se de novas 

razões de ação e de aprendizagem. Portanto, a ação do Psicopedagogo, em 

um trabalho multidisciplinar, deve respeitar e aceitar a história de vida do 

idoso, reconhecendo a sua experiência e sabedoria

.Palavras-Chave: Psicopedagogia; terceira idade; aprendizagem; habilidades 

cognitivas. 

ABSTRACT

The pedagogical action operates on the cognitive abilities and learning 

in old age. In this paper, we discuss how the brain time (from the newly 

born to the elderly) influences each stage of life. Our literature review 

shows that, despite the considerable loss of neurons during a life time, 

there is still the possibility of new learning in old age. In this sense, we 

describe the role of the Educational Psychologist in mediating the ongo-
ing process of human learning. The reviewed papers suggest that inter-
ventions performed by educational psychologist can assist in the elderly 

brain and social transformations. Old age is a stage to enjoy life, rein-
vest, and discover new reasons for acting and learning. Therefore, the 

Educational Psychologist shall act in a multidisciplinary approach; re-
specting and accepting the elderly life history, as well as recognizing 

their experience and wisdom.

Keywords: Psychology; Senior; learning; cognitive abilities.

2 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

De acordo com o IBGE (2008), o crescimento da população idosa é um fenômeno mundial 

cujas projeções demonstram que, só no Brasil, haverá em 2050, uma população com 81,3 anos em 

Tal fenômeno, fez com que a sociedade, nos últimos anos, valorizasse as pesquisas e inter-
venções que podem ser realizadas com a terceira idade (SILVA, 2008).

Yassuda (2006) confirma esta informação descrevendo que nos últimos 50 anos, os estudos 

sobre o envelhecimento cognitivo humano (relacionado ao declínio da memória e certos déficits) 

têm avançado significativamente. 

Entretanto, a principal queixa do indivíduo idoso está relacionada a declínios no processo 

cognitivo, se referindo em especial à memória.

Neste caso, como o profissional ligado à aprendizagem pode atuar junto aos idosos? Que es-
tímulos e intervenções o Psicopedagogo pode desenvolver para auxiliar o indivíduo idoso a manter 

sua memória, função intelectual e capacidade de resolver problemas?

Partindo destas questões, o interesse por esta pesquisa surgiu devido a um olhar específico 

sobre a educação como um processo permanente, sendo a aprendizagem possível em qualquer 

Este trabalho, através de pesquisas bibliográficas, teve por objetivo discutir a possibilidade de 

intervenções psicopedagógicas a serem realizadas junto a terceira idade, promovendo uma melho-
ria na qualidade de vida e reativando a sua inclusão social.

Para responder os questionamentos feitos neste artigo, foi necessário realizar um estudo sobre 

as diversas fases de transformação cerebral e das habilidades cognitivas desenvolvidas ao longo da 

vida (recém nascidos, crianças, adolescência, adultos e terceira idade), demonstrando que apesar 

de constatar um declínio cognitivo natural e considerável, o cérebro humano consegue se adaptar 

 Nesse sentido, esta pesquisa priorizou verificar a possibilidade do cérebro adquirir uma 

aprendizagem contínua, verificando se a capacidade cognitiva é influenciada pelo envelhecimento 

do indivíduo. Sendo assim, pesquisou-se também quais as possibilidades de intervenções e 

atuações do Psicopedagogo quanto a terceira idade, destacando seu trabalho nas ativações

cognitivas do indivíduo em conjunto com uma equipe multidisciplinar.

Nome da Revista  Vol. , No. 0, Ano 2015  p. 1-24

2. A TERCEIRA IDADE E A APRENDIZAGEM

O envelhecimento é um processo natural que dura a vida inteira de um ser humano, desde 

o nascimento até a morte. O indivíduo carrega consigo alterações em seu processo cogni-

Barbosa (2013) relata que em todas as fases do ciclo evolutivo individual e coletivo hu-
mano, o envelhecimento está presente, pois as células perenes se reproduzem a partir das 

originais e ao mesmo tempo formando-se uma cronologia de vida. 

É possível perceber, neste processo que a população mundial de idosos está gradativa-
mente aumentando, no Brasil, estima-se que a vida média da população pode chegar a 

81.3 anos em 2050. A sociedade aprovou estudos que tivessem por objetivo uma análise 

profunda da última fase do desenvolvimento, a terceira idade (SILVA,2010).

Com tantas intervenções cientificas e até mesmo social no retardo do processo de enve-
lhecimento. A ciência e a medicina chegaram a questionar se era possível um idoso ainda 

aprender mesmo tendo suas habilidades cognitivas deterioradas.

Em qualquer caso, parece evidente a aprendizagem em função do meio. Ou seja, o indiví-

duo se adapta ao mundo conforme aprende (PIAGET, 2011). Dessa forma, ao tomar con-
tato com experiências mais elaboradas, o indivíduo passa a se apropriar de tal conheci-

A aprendizagem é um processo natural e complexo, ao mesmo tempo que pode ser defi-
nida pelo modo de adquirir novos conhecimentos, sendo esses de ordem pessoal, desen-
volver competências, mudanças de comportamentos ou de criações sinápticas (AAMODT 

Sendo assim, o desenvolvimento da aprendizagem tanto individual, quanto social está di-
retamente ligada ao desenvolvimento neurológico que, é o resultado final de fatores co-
mo; mielinização, crescimento axodendrítico, crescimento dos corpos celulares, sinapto-
gênese, estabelecimento de circuitos interneuronais e outros eventos químicos 

Este desenvolvimento neurológico é realizado e aperfeiçoado ao longo da existência do 

ser humano, dependendo unicamente de estímulos, percepções, atenção (foco), memória, 

4 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

flexibilidade mental, raciocínio lógico, e preservação neuronal com o passar dos anos 

Na visão da Neurociência, a aprendizagem é estudada diretamente no campo experimen-
tal e comportamental, o cérebro realiza uma conexão física entre o dendrito e o axônio si-
nalizando uma nova assimilação de um determinado aprendizado. 

Com o passar dos anos, a Neurociência alcançou avanços da tecnologia e atualmente pode 

através do uso de ressonância magnética e tomografia, comprovar que esta conexão si-
náptica, ajuda na aprendizagem do ser humano, independente da idade.

De acordo com Aamodt e Wang (2008) o aprendizado pode ser diferente entre os indiví-

duos de espécies iguais, pois suas habilidades são adquiridas na dependência da formação 

e comunicação entre os seus neurônios, tal comunicação é estabelecida desde a primeira 

fase da criança e podendo ou não, formar uma conexão sináptica por meio de um novo 

Ainda de acordo com os mesmos autores, as conexões neuronais fortalecem sinapses efe-
tivas e enfraquecem ou excluem as sinapses que permanecem sem utilização. Essa teoria 

ainda hoje gera uma grande discussão na Neurociência, pois deu base para uma informa-

ção que está sendo revista, algumas teses indicam que essa perda neuronal está intima-
mente ligada ao envelhecimento.

Silva (2010) relata que no senso comum ainda compartilha-se a ideia de que com a 

chegada da velhice, vem consigo o declínio cognitivo, dando a possibilidade de 

plasticidade e de novas aprendizagens. Há contestações sobre tal afirmação, pensando no 

desenvolvimento como um processo contínuo, que mesmo com tantas mudanças e 

processos de sua chegada, é sim uma fase de possibilidades, de novas aprendizagens, que 

não necessariamente carrega consigo uma perda cognitiva.

Ainda de acordo com Silva, estudos anatômicos têm mostrado que não há a diminuição 

de neurônios no hipocampo, região da memória a longo prazo, que o número de suas cé-

lulas não mudam durante o envelhecimento normal, pois além dos neurônios não falece-
rem em larga escala, eles continuam a se regenerar na fase adulta, sendo esta fase, restrita 

a determinadas áreas do cérebro.

Nome da Revista  Vol. , No. 0, Ano 2015  p. 1-24

No entanto, apesar de apresentar maior propensão às doenças degenerativas, o idoso que 

cuida de sua saúde física e mental, apresenta sempre uma melhora cognitiva em relação 

ao idoso que não treina o seu físico de maneira efetiva, bem como da alimentação ade-
quada, tendo em vista o controle da pressão arterial, diabetes e demais doenças que cos-
tumam aparecer com o avanço da idade. O alto desempenho dos idosos ativos, se dá por 

conta de uma reorganização das funções cerebrais dos mesmos.

É importante ressaltar que pessoas idosas, apesar de ter atividades cerebrais mais reduzi-
das do que os jovens, podem mostrar melhores resultados em áreas cerebrais significati-
vas que normalmente não são ativadas pelos mais novos (SILVA, 2010), sendo assim, 

descreve que a inteligência fluida, que soluciona problemas em novas situações, pode de-
cair com o avanço da idade, mas que a inteligência cristalizada, que depende de aprendi-

Portanto, mesmo em idade avançada, o nosso cérebro pode aprender, desde que, o mesmo 

esteja com suas funções completamente normais e tenha reservas cognitivas bem traba-

A população idosa sofre com tais mudanças, no lado cognitivo, pois elas alteram a forma 

do idoso lidar com o mundo a sua volta. No entanto, observa-se que a capacidade da plas-
ticidade cerebral do mesmo, de certa maneira, se mantém. E tal fato pode ser provado pe-
lo próprio aumento de expectativa de vida da população e capacidade do idoso de se 

Diante destas informações, o Psicopedagogo, pode contribuir com conhecimentos em tor-
no de possibilidades interventivas preventivas e corretoras de perdas cognitivas experi-
mentadas pelo ser em envelhecimento, atentando-se também ao histórico do mesmo, 

quanto as mudanças físicas e psicológicas, para tomar uma medida em relação ao trata-
mento do atendente. Lembrando sempre que este atendimento deve ser feito com uma 

equipe multidisciplinar, como gerontólogos, médicos especialistas e psicólogos 

(VANDERLEI, COLELLA, SILVA, MARTINEZ, SILVA, 2014).

6 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

2.1 PRINCIPAIS MUDANÇAS FISICAS DO IDOSO

As principais mudanças físicas da fase adulta para a terceira idade se caracterizam pelo 

envelhecimento cerebral, havendo a diminuição do consumo basal de oxigênio, redução 

da utilização da glicose e do fluxo sanguíneo, que acaba por comprometer o volume cere-
bral (BARBOSA, 2013)

Nota-se que acima dos 60 anos, há uma menor intensidade de sinais de alarme disparados 

pelo cérebro, como a fome, sede, febre, percebe-se uma redução de água corporal, dimi-
nuição dos cinco sentidos, um declínio na capacidade funcional dos tecidos e articulações 

mais frágeis (SILVA, 2010).

Além disso, apresentam maior perda de equilíbrio, devido as mudanças motoras, e seus 

ossos ficam menos resistentes devido a descalcificação (SILVA,2010).

Barbosa (2013) relata que na idade dos 60 até os 70 anos, há uma regressão na parte mo-
tora e a imagem corporal, o idoso pode ser considerado como um ser de estado doentio e 

acidental, de grande desgaste e disfunção do organismo e do psiquismo, que podem pro-
vocar processos degenerativos, incluindo perda de memória, o que caracteriza em alguns 

2.2 PRINCIPAIS MUDANÇAS PSICOLÓGICAS

Martins e Barbosa (2013) relatam que a maioria dos idosos apresenta maior disposição à 

depressão, baixa autoestima e insegurança. As alterações podem surgir de diversos fato-
res, como perdas, podendo ser até financeiras, problemas de saúde e de uma enorme re-
jeição até mesmo de entes queridos do atendente.

Com o envelhecimento, as habilidades cognitivas podem decair e alguns idosos têm uma 

tendência a isolar-se em seu psiquismo, alterando a sua autoimagem. As emoções acumu-
ladas e internalizadas de forma negativa, na velhice emerge a possibilidade de novos pro-
blemas, que envolvem a formulação de várias situações acerca de questões mal resolvi-
das, de acordo com Martins e Barbosa (2013).

Essa desmotivação pode causar o Transtorno de Humor, e resultar na queda de produção 

de serotonina no cérebro, ou ser decorrente de uma disfunção no lobo frontal, que age na 

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área racional, bem como, no sistema límbico, responsável pelo emocional. Em muitos ca-
sos, os psiquiatras ou neurologistas, indicam um antidepressivo, mas em sua grande mai-
oria, há a necessidade de um atendimento psicológico para estes casos.

Em virtude desses fatos, não só os profissionais da saúde, assim como, os demais profis-
sionais que atuam diretamente com os idosos devem tratar os mesmos com a maior aten-

ção, perseverança e paciência a ponto de aliviar as limitações que cada um apresenta.

3. HABILIDADES COGNITIVAS - DESENVOLVIMENTO AO LONGO DA 

Nosso cérebro é o órgão responsável pelas funções comportamentais, cada região cerebral 

apresenta níveis de desenvolvimento (maturação cerebral), relacionados com aptidões 

cognitivas adquiridas em diferentes épocas da vida (BARBA; GOMES, 2010).

Conforme afirmam os autores Aamodt e Wang (2008), o cérebro muda de acordo com o 

seu desenvolvimento. Takase (2010) confirma esta informação, que são muitos os fatores 

envolvidos para que o volume cerebral seja alterado.

É sabido, que o sistema nervoso, forma-se no início da terceira semana de gestação, 

através das diversas divisões celulares, o cérebro já se encontra em transformação. Takase 

(2010) refere-se, que ao nascermos, o processo de maturação cerebral é mais intensivo e 

rápido em relação ao período que estávamos no útero. Por isso, conforme crescemos, a 

massa encefálica vai aumentando, deixando o cérebro com maior volume.

Dessa forma, a perda neuronal, pode ser vista nesta fase como uma sinalização de fase de 

transição do indivíduo, entre a adolescência e a vida adulta.

Essa perda ocorre primeiramente na parte posterior do cérebro e depois na parte frontal, 

onde ficam os planejamentos com relação, as decisões emocionais e sociais a serem 

De acordo com Barba e Gomes (2010), a habilidade de aprender e modificar o próprio 

comportamento, a partir do ambiente em que o indivíduo vive, é uma característica única 

dos seres humanos, sendo uma das primeiras e importantes tarefas aprendidas pelos 

No decorrer da vida, os processos neurofisiológicos são mobilizados pelo organismo e 

possibilitam estabelecer informações sociais e suas relações.

8 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

Para maior compreensão, vamos dividir por fases este estudo e entender como os fatores, 

principalmente os biológicos, podem influenciar na vida cotidiana até a fase final da vida.

3.1 O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM CRIANÇAS

Aamodt e Wang (2008), afirmam que os primeiros estágios de desenvolvimento cerebral 

não necessitam de nenhum tipo de experiência, uma vez que na barriga da mãe não existe 

muita estimulação. De acordo com os autores, é neste período que as diferentes áreas do 

cérebro se formam. Os neurônios nascem e os axônios atingem seus objetivos ao 

formarem uma rede neuronal, no máximo até os 6 anos da criança.

No entanto, após o nascimento, o nosso cérebro necessita aprender, por meios visuais, 

sensoriais e emocionais, não deixando dúvidas de que o ambiente inicial influencia 

diretamente no desenvolvimento mental de uma criança (AAMODT; WANG, 2008).

De acordo com Barba e Gomes (2010), as experiências maternas, após o nascimento do 

bebê, podem influenciar os mecanismos fisiológicos e comportamentais, na vida deste 

bebê. Os autores descrevem que, crianças com 3 meses, já conseguem estabelecer um 

contato com as pessoas de seu convívio e direcionar a atenção para locais, eventos e 

objetos. Este processo permite que a mesma possa fazer associações a objetos e emoções 

diversas no decorrer de sua vida, facilitando processos cerebrais relacionados à memória 

e a aprendizagem (BARBA; GOMES, 2010).

Entre os 5-7 meses, a criança já apresenta as expressões faciais, devido ao seu sistema 

visual ter sido trabalhado de forma regular. Dessa forma, consegue demonstrar mais 

facilmente as suas emoções, como medo e felicidade (BARBA; GOMES,2010). Os 

processos cognitivos e emocionais quase sempre dão direção ao crescimento das 

capacidades cognitivas, com o passar dos anos, a criança aprende a se socializar com 

objetividade, descentralizando o pensamento em busca de uma autoimagem em prol de 

conhecimentos (RELVAS, 2011).

Ainda de acordo com Barba e Gomes (2010), os resultados de pesquisas apontam que a 

atividade elétrica do cérebro do recém-nascido é extremamente disseminada durante a 

tarefa de memória de trabalho, se localizando na região frontal-medial com o passar dos 

anos. Neste sentido, a teoria da ativação global cerebral, sugere que o cérebro do bebê 

apresenta um aglomerado de sinapses, que serão ativadas ou desativadas, com suas 

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experiências e vivências ao longo de sua infância, desenvolvendo dessa forma o seu 

Aadmot e Wang (2008) concordam com esta visão e a complementam; o cérebro do bebê 

está pronto para buscar novas experiências em estágios definidos do desenvolvimento. É 

nesse período que as crianças começam a aprender um idioma ou uma linguagem.

A linguagem é a forma pela qual os seres humanos se comunicam, expressam suas ideias 

e/ou sentimentos, através da fala, escrita ou de outros signos convencionais.

Barba e Gomes (2010) definem a linguagem, como um sistema de comunicação, com 

regras estabelecidas para que haja uma compreensão entre o emissor e o receptor.

Dessa forma, podemos dizer que a construção da linguagem se dá por meio das vivências 

estabelecidas com o meio, da interação mãe-bebê, e da interação da criança com adultos e 

outras crianças. Sem estes estímulos, a criança pode vir a ter dificuldades na 

aprendizagem da escrita e/ou na formação da oralidade.

Segundo Antunes (2011), somente aprendemos de forma duradoura, quando somos 

transformados em um centro de produção da aprendizagem, ou seja, quando existe uma 

relação efetiva com o que se aprende e logo, com os significados do que foi aprendido. 

Sendo assim, percebemos, que ao pensarmos no desenvolvimento infantil, precisamos 

estudar para entender e compreender que a criança é um ser que pode e deve ser 

estimulado. O Psicopedagogo poderá agir de uma maneira lúdica, para obter resultados 

com esse desenvolvimento, tornando-o cada vez mais estruturado, evitando assim 

problemas futuros no que refere-se a aprendizagem.

3.2 O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM ADOLESCENTES

Na adolescência, o corpo e o cérebro sofrem muitas transformações que acompanham a 

transição desta fase para tornar-se adulto. Taboada (2010) relata que a ciência atual 

descobriu que essa turbulência emocional é o resultado de transformações cerebrais 

profundas e não necessariamente da alma.

No entanto, é importante ressaltar que a adolescência e a puberdade não são termos 

sinônimos, a puberdade é o período em que há mudanças físicas e neuroendócrinas, 

associadas com a maturação sexual, já a adolescência, engloba todas as alterações 

pertinentes ao período de transição da infância para a vida adulta (TABOADA,2010)

10 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

Essa transição está intimamente ligada ao fato do adolescente querer maior independência 

dos pais, responsabilidades acarretando em turbulências emocionais. Este último tipo em 

especial, está associado às alterações do cérebro, principalmente por conta de não terem 

controle sobre os seus impulsos (AAMODT; WANG, 2008).

De acordo com Barba e Gomes (2010), o cérebro sofre uma modelação da fase infantil 

para a adolescência. Estudos indicam que há uma diminuição na massa cinzenta cortical 

e aumento da massa branca no final da infância para a adolescência, associado ao corte de 

neurônios excessivos e ao aumento da conectividade estrutural do cérebro e suas regiões.

Essa remodelação cerebral acontece no período dos 12 aos 24 anos, de acordo com Siegel 

(2014) durante a adolescência, há um crescimento do circuito cerebral que utiliza a 

dopamina, um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e recompensa. Isto 

explica o fato dos adolescentes sempre estarem prontos para buscar emoções e sensações 

intensas, sem pensarem ou até mesmo se precaverem dos riscos e perigos em 

determinadas situações.

Aadmot e Wang (2008) relatam que, apesar dos neurônios estarem presentes aos 2 anos 

de idade, o tempo de conexão e amadurecimento entre os mesmos é muito longo. Os 

axônios são revestidos por uma bainha chamada mielina, que permite uma transmissão 

mais rápida dos sinais elétricos. Essa mielinização na área pré-frontal é o último estágio 

do desenvolvimento cerebral que vai até a fase adulta. Este é um processo muito 

importante na inibição e na seleção de comportamento adequado para os adolescentes 

atingirem suas metas.

Para Aadmot e Wang (2008) outras áreas do cérebro já estão amadurecidas em termos de 

tamanho e mielinização. Por isso, alguns adolescentes possuem reflexos maduros e 

capacidade de armazenar novas informações.

Ainda se tratando das alterações cerebrais nesta fase, Taboada (2010) descreve o fato da 

região parietal, responsável pelas informações referentes ao espaço corporal, também 

estar em formação até por volta dos 30 anos. Nesta fase, os adolescentes são mais 

“estabanados”, pois o seu córtex parietal está lutando para se adaptar às novas 

informações referentes ao corpo que se encontra em desenvolvimento. Esse 

desenvolvimento, longo e descontínuo do cérebro, é mais um indício de que esta fase 

recebe influência ambiental, e que suas características de personalidade, habilidades 

cognitivas, motoras, sociais e emocionais, estão se desenvolvendo gradualmente.

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Portanto, o olhar do psicopedagogo a um adolescente em pleno desenvolvimento, não 

deve ser de um jovem sem solução, mas sim como uma joia que necessita de lapidação.

3.3 O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM ADULTOS

A fase adulta é aquela que corresponde ao término da adolescência e ao começo de uma 

preparação para a vida adulta e depois o encontro com a realidade da vida idosa, hoje 

chamada por muitos de melhor idade, a qual é o ápice da maturação biológica e do 

O cérebro, por sua vez, apresenta uma plasticidade singular, não de estabilização, mas 

sim de funções definidas ou até especializadas (MAIDEL; PINHEIRO, 2010), por isso, 

não há nenhuma função cognitiva específica a ser estudada nesta fase, mas sim a 

No entanto sabe-se que o amadurecimento do córtex pré-frontal, aparenta ser o estágio 

Herculano-Houzel (2007), relata que é um engano pensar que após a adolescência o 

cérebro está pronto, pois as regiões do lobo frontal são as últimas a serem completamente 

formadas, com o aumento de massa branca e redução da cinzenta até os 30 anos ou até 

A mesma autora ainda relata que a partir desse ponto, o cérebro encontra-se em seu ápice, 

pois não há mais variações abruptas. A capacidade de raciocínio abstrato está superativa e 

a memória, região do hipocampo, está conseguindo lembrar-se de suas atividades 

Após a mielinização, a migração e a sinaptogênese, o neurônio possuirá a sua cauda, 

axônio, recoberta pela bainha de mielina, que através do isolamento eletro-químico, 

catalisará a transmissão de informações e acelerará os processos cognitivos já 

desempenhados pelo sistema nervoso, no entanto, esse processo também pode atrapalhar

e dificultar a aquisição de novos conhecimentos, dado que essa mesma estrutura isolante 

dificulta a movimentação do neurônio, e, portanto a criação de novas sinapses (MAIDEL; 

Em termos cognitivos, essa mudança não altera o ganho ou perda de inteligência, bem 

como, a memória de trabalho, tomada de decisão, capacidade de reconhecimento, 

comparação e agrupamento. De qualquer forma, nota-se que esse processo de 

12 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

mielinização é responsável pela especialização das funções do cérebro, aprimorando-as 

cada vez mais em relação às demais funções (MAIDEL; PINHEIRO, 2010).

O adulto utiliza os conhecimentos já aprendidos, de modo mais rápido do que aquele que 

aprende novos conhecimentos, apresentando mais ganhos qualitativos do que 

quantitativos no processamento cerebral (MAIDEL; PINHEIRO,2010).

Devido a isso, as funções executivas definidas como um conjunto de habilidades, que 

permitem que o indivíduo escolha como comportar-se em determinadas situações e se 

concentrar na atividade em que está realizando, caracterizam a vida adulta no âmbito 

pessoal, social e profissional (AADMODT; WANG,2008).

Dessa forma, Maidel e Pinheiro (2010) referem-se, que tais funções executivas podem ser 

definidas como uma plasticidade cerebral, declarando a idade adulta como a possibilidade 

de construir diversas dessas, as quais, regulam a vida pessoal e social do indivíduo.

4. PSICOPEDAGOGIA E AS HABILIDADES COGNITIVAS NA 

TERCEIRA IDADE.

Historicamente, o Psicopedagogo é um profissional que aprofundou seu conhecimento no 

processo da aprendizagem humana, seus padrões normais e patológicos, considerando a 

influência do meio familiar, escolar e social, para o estudo do ato de aprender, baseado no 

Código de Ética da Psicopedagogia, a princípio, com crianças e adolescentes. Mas, 

atualmente, a psicopedagogia está voltada para a compreensão do ser humano, no seu 

processo de aprendizagem em todas as etapas de sua vida, direcionando, assim, o seu 

olhar também para a terceira idade.

Entretanto, diante das explicações dadas anteriormente com relação às habilidades 

cognitivas e o desenvolvimento ao longo da vida, observamos que, com o passar dos 

anos, o nosso cérebro vai perdendo neurônios e apesar de ficar mais amadurecido, seu 

funcionamento pode ser prejudicado na parte cognitiva.

O declínio cognitivo é um resultado biológico do processo de envelhecimento, que pode 

ser minimizado, dependendo do estilo de vida que a pessoa escolhe (VANDERLEI et al 

2014). No entanto, as principais alterações cognitivas ocorrem no processamento motor e 

na memória do idoso.

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Nesses casos, o Psicopedagogo pode atuar com propostas interventivas e corretoras de 

perdas cognitivas experimentadas pelo ser em envelhecimento.

Schaie (1993) questiona, pode o declínio intelectual ser revertido através de uma 

intervenção educacional, levando em consideração o aumento da idade? Descreve que os 

estudos sobre treinamento cognitivo em sujeitos de sua pesquisa longitudinal, método que 

visa analisar variações e características dos mesmos elementos amostrais, ao longo do 

tempo por meio de observações, sem manipulação de fatores, sugere que tais declínios 

observados em idosos são decorrentes do desuso, mas podem ser revertidos, devido à

plasticidade cerebral. Schaie (1993) ainda nos mostra que indivíduos que são bastante 

ativos e estimulam a área de aprendizado no cérebro, com o estudo de novas línguas, 

jogos diversos e atividades sempre diferenciadas que não mantenham a rotina, estão 

menos suscetíveis ao declínio cognitivo. A resolução de tarefas mais complexas, tanto no 

trabalho como no lazer, também surtem o mesmo efeito, ou seja, interferem 

positivamente no processo intelectual dos idosos.

Ainda de acordo com Silva (2010), tais atividades, mantém o desejo de pessoas idosas a 

se sentirem necessárias e de oferecerem algo em troca para a comunidade, mantendo 

assim, a sua vitalidade cognitiva. A melhoria em um dos domínios, sociais, cognitivo 

e/ou nas funções físicas podem levar a avanços significativos para outras regiões do 

Para Martins e Barbosa (2013), várias situações relacionadas às doenças são ocasionadas 

por fatores advindos dos aspectos físicos e psicológicos, que somados às dificuldades 

sociais e culturais, tais como baixa autoestima, incompreensão da família, desvalorização, 

podem impedir que o idoso, tenha uma vida saudável e feliz.

No entanto, o Psicopedagogo, pode ajudar na reversão dessas questões, com a atuação em 

uma equipe multidisciplinar, criando um relacionamento de aprendizagem e 

reconhecimento, identificando esta fase da vida, entendendo a formação cultural e 

Para Bortolanza, Krahl e Biasus (2005), a velhice é uma etapa para viver, conviver, 

apropriar-se de razões éticas e estéticas, privilegiar ações de sonhos e de alegrias, 

reinvestindo em situações de ação e de aprendizagem. Os Psicopedagogos que atuam em 

14 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

equipe multidisciplinar buscam transformar estas virtudes em prática. Ao identificarmos 

características contrárias, como desânimo, falta de interesse ou até mesmo depressão, o 

psicopedagogo, deve estudar e trabalhar nas manifestações cognitivo-afetivas do sujeito 

em situação de aprendizagem.

4.1 ENTENDENDO O FUNCIONAMENTO DA MEMÓRIA NA TERCEIRA 

Em diversos casos, a principal queixa do indivíduo idoso é a falta de memória, 

desconcentração e perda de mobilidade. 

Gil e Busse (2013) descrevem a memória como uma habilidade incrível do indivíduo que 

permite a ele aprender e recordar informações a respeito do mundo e de suas 

experiências. Dessa forma, a memória faz um trabalho importante de novas conexões 

No entanto, ainda relatam os mesmos autores, que quando há uma alteração da memória 

decorrente do advento de uma doença, o cérebro também é restringido, surgindo assim, 

doenças degenerativas que interferem na vitalidade cerebral. 

Sendo assim, Gil e Busse (2013), citam a importância da Neuroplasticidade Cerebral, 

informando que o treino cognitivo pode levar ao aumento da conectividade dos circuitos 

Muszkat e Mello (2012) explicam que o conceito da Neuroplasticidade Cerebral, está 

ligado a mudança adaptativa na estrutura e função do sistema nervoso. Se esta estrutura 

estiver danificada, ela deve ser estimulada para desenvolver novos dendritos e reconhecer 

a informação de outros neurônios no mesmo circuito, ou até mesmo em circuitos mais 

distantes (GIL; BUSSE, 2013). 

Portanto, para Gil e Busse (2013), um processo que ajuda a manter a memória ativa é a 

repetição, uma vez que quando se para de exercitar alguma habilidade mental, não só se 

esquece de como exercê-la, como pode fazer com que tal habilidade seja utilizada de

outra forma em partes diferenciadas do cérebro.

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A memória pode ser classificada em estágios: sentidos, atenção, decodificação, 

armazenamento, e evocação. No entanto, o indivíduo deve estar com os cinco sentidos em 

plena forma, pois ao garantir a eficácia dos sentidos, é necessário prestar atenção. Logo, 

o indivíduo não pode dizer que não memorizou uma informação se não a viu e ouviu de 

maneira adequada (GIL; BUSSE, 2013).

Gil e Busse (2013) relatam ainda que a memória de atenção é a habilidade que uma 

pessoa tem de responder frente ao estímulo solicitado e fixar a sua concentração junto ao 

mesmo, caso o indivíduo consiga se concentrar em apenas uma situação, essa é chamada 

de memória seletiva, no entanto, há a possibilidade da atenção ser alternada dependendo 

da situação, onde o indivíduo tem maior flexibilidade mental e consegue fazer atividades 

variadas ao mesmo tempo. É necessário também, dividir a atenção em momentos em que 

o mesmo se torna capaz de responder simultaneamente às múltiplas tarefas ou exigências. 

Sendo assim, Gil e Busse (2013) explicam que esses tipos de atenção são fundamentais 

ao auxílio da pessoa com problema de memória, pois está é a maneira em que a 

informação entra no cérebro para ser armazenada e evocada.

Para Silva (2010), a memória de atenção em idosos, apresenta maior dificuldade em 

localizar a atenção e inibir informações irrelevantes. Relata que é normal o indivíduo, 

com o passar dos anos, tender a despender menos tempo focando a sua atenção em certos 

assuntos, o que pode dificultar o armazenamento e, consequentemente, a lembrança de 

Silva (2010) complementa que, a atenção seletiva em idosos, sofre grande declínio devido 

a menor capacidade inibitória resultante de uma diminuição na atividade cerebral.

Em seguida, a memória de decodificação é apresentada por Gil e Busse (2013), como 

uma análise do material a ser lembrado. Nesta fase, quanto mais se analisa um objeto, 

mais se decodifica e se lembra do mesmo. Há uma melhor recordação ao dividir os 

objetos e selecioná-los em categorias. Após a memória de decodificação, Gil e Busse 

(2013), descrevem a respeito do processo de armazenamento. Este processo pode durar 

por horas, meses e anos. É nesta etapa que as consolidações das experiências novas são 

estabelecidas com informações antigas. Os mecanismos envolvidos no processo de um 

novo aprendizado com um aprendizado antigo, ainda não está bem definido. No entanto, 

16 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

os autores indicam que, caso o indivíduo tenha alguma alteração na memória, este 

processo não deve ser interrompido, pois não se deve ensinar a pessoa com problema de 

memória a aprender algo novo de forma rápida.

Gil e Busse (2013) explicam o funcionamento do processo de evocação. Nesta fase, a 

evocação é tida como a procura ou ativação de traços existentes de memória. Apenas após 

a recordação de uma informação é que o indivíduo consegue lembrar e executar o que lhe 

foi determinado. Portanto, podem ocorrer nesta fase, erros de memória conhecidos como 

distorção, ou seja, a pessoa atribui a origem da memória a uma fonte errada. 

Sendo assim, para entendermos melhor esses estágios da memória, é necessário dividi-los 

em tipos de memórias diferenciadas. Gil e Busse (2013) classificam as memórias por 

tempo, sensorial, sensorial ecoica, sensorial icônica, memória de trabalho e prospectiva, 

mas também dependentes de conteúdo, podendo ser declarativa e não declarativa.

A memória sensorial, de acordo com Gil e Busse (2013), tem a duração de segundos e 

refere-se à mudança do que alguém disse ou viu, mesmo quando o indivíduo não presta a 

atenção, pois contêm uma representação da informação com base em sensações. No 

entanto, ela pode preceder outras duas memórias sensoriais, a ecoica, a icônica e a 

memória curta ou memória de trabalho. A ecoica ocorre quando o indivíduo responde a

uma situação, mesmo estando distraído, sem nenhuma observação visual. A icônica 

ocorre quando, diante de uma imagem, o indivíduo responde a uma situação, segundo 

estimativas, por poucas centenas de milissegundos.

A memória de trabalho é aquela que permite reter uma informação por segundos ou 

minutos e manipulá-la. Essa memória é bastante limitada, mas é acessível ao 

processamento consciente, isto é, sem que o indivíduo tenha alguma demência que o 

afete. A quantidade de itens que uma pessoa sem problema de memória pode reter são de 

cinco a nove itens (GIL; BUSSE2013).

Nesse caso, Silva (2010) informa que em idosos, há uma enorme dificuldade em reter 

esse tipo de informação enquanto o material é processado ou manipulado. A memória de 

trabalho, onde além de ser feita de forma imediata, e com capacidade limitada, auxilia na 

lembrança de informações visuais e espaciais, além de coordenar atividades cognitivas de 

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planejamento, de estratégias e integrações com a memória de longo prazo, a pertinência 

do que será efetivamente guardado pelo indivíduo.

Gil e Busse (2013) explicam que a memória de longa duração, é aquela que é mantida por 

um período de bastante longo, dias ou anos, permitindo que o indivíduo lembre-se de um 

evento da infância, ou do que ocorreu há anos atrás.

Silva (2010) complementa que a memória de longo prazo em idosos declina lentamente,

ou não declina por inteiro, à medida que o indivíduo envelhece, os mais velhos diferem 

muito no desempenho das tarefas num período longo. Afirma que as pessoas com baixa 

capacidade verbal estão mais propensas a apresentar um declínio na evocação por mais 

tempo, durante o processo de envelhecimento.

Gil e Busse (2013) descrevem também a memória prospectiva, que é a capacidade de 

lembrar-se de algo, quando ocorre um evento ou em um determinado momento.

A memória prospectiva é uma memória de ação futura, segundo Neri (2008), quando 

apresenta alterações estas ameaçam a independência do idoso, de maneira a leva-los ao 

esquecimento de coisas básicas, como pagar contas, tomar remédios, entre outros. Ela 

ainda aponta a existência de dificuldades neste tipo de memória. Cohen (1996)

informando que os efeitos da idade são menores quanto à ação prospectiva, que é 

sinalizada por um evento, facilitando ao idoso lembrar o que terá de fazer.

Neri (2008) também atribui esse problema na memória prospectiva à falta de atenção, 

primeiro estágio da memória. Para a autora, os idosos que utilizam mecanismos 

compensatórios e outras estratégias, conseguem se sair tão bem ou até melhor do que os 

jovens em tarefas que envolvam memórias prospectivas. O seu declínio pode ser 

influenciado por fatores como o estresse, a ansiedade e o comprometimento cognitivo, 

assim como, os déficits deste tipo de memória que podem também ser gerados por falta 

de estímulos e de recursos no ambiente.

Gil e Busse (2013) também descrevem sobre a memória declarativa e a não declarativa. A 

declarativa é aquela em que o acesso à informação é consciente, no que se refere a 

conhecimentos pessoais e eventos lembrados, ou seja, a memória declarativa episódica ou 

o conhecimento que se têm do mundo externo, a memória declarativa semântica.

18 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

De acordo com Silva (2010), a memória episódica está associada à área do córtex pré-

frontal. Estas ativações são por vezes lateralizadas, concentrando-se apenas em um dos 

hemisférios, possivelmente refletindo a natureza dos processos ou de estímulos mais 

desenvolvidos, tais evidências diminuem com o aumento da idade, mas ainda não é claro

para a ciência, a função dessas mudanças no cérebro com o avanço da idade.

Para Neri (2008), a memória episódica tende a ser afetada com o passar dos anos e está 

associada com a dificuldade de realizar novos aprendizados sobre acontecimentos 

recentes. Mas, ressalta que os idosos que vivem com recursos ambientais adequados, 

podem manter preservadas as capacidades de gravar e lembrar conteúdos memorizados, 

ou compensar déficits.

Pensando em autoavaliação ou percepção da própria memória, a chamada metamemória

parece estar alterada em idosos (GIL; BUSSE, 2013). A metamemória é definida como

saber aquilo que o próprio sistema não pode realizar, envolvendo a compreensão que a 

pessoa, precisa ter ou não realizar estratégias para memorizar novas informações, 

incluindo a autoeficácia, julgamentos de aprendizado e percepção do lócus de controle 

Várias estratégias podem ser empregadas para aliviar ou compensar tais problemas de 

memória. Estas incluem adaptações ambientais, exercícios e jogos de memória, entre 

outras atividades como dicas para ter uma memória mais ativa. Indivíduos com déficit de 

memória têm problemas com ajuda compensatória, pois esquecem, de usá-las são 

incapazes de programá-las e as utilizam de maneira não sistemática e sentem-se 

frequentemente embaraçados pelas mesmas. Nesse sentido é importante uma intervenção 

que ensine idosos a utilizar estratégias de memória, diminuindo o sofrimento ocasionado 

pelos esquecimentos decorrentes da falha de memória (SILVA, 2010).

Neste caso, Silva (2010) relata a importância de manter o cérebro do idoso ativo, o

Psicopedagogo pode e deve facilitar sob esta circunstância, ensinando, e ajudando o idoso 

com jogos e atividades que o façam sentir prazer e bem estar, melhorando sua qualidade 

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4.2 COMO O PSICOPEDAGOGO PODE AJUDAR A MANTER A 

MEMÓRIA DO IDOSO ATIVA

Na visão do Psicopedagogo, é possível sim ajudar a manter ou melhorar a memória ativa 

Apesar de não haver uma maneira de restaurar completamente a capacidade da memória 

perdida, muitas vezes é possível melhorar o uso da memória existente no dia a dia, por 

meio de estratégias cognitivas e comportamentais que levem a pessoa a adquirir ou 

armazenar informações de forma eficaz (GIL; BUSSEN 2013). 

A cada nova experiência com o uso de estratégias cognitivas, uma rede neuronal é 

rearranjada e as sinapses são reforçadas, gerando múltiplas respostas ao ambiente. A este 

fenômeno chamamos de plasticidade cerebral. Esta plasticidade pode ser adquirida em 

nível funcional, com o aumento da transmissão sináptica, ou em nível estrutural, com o 

crescimento neuronal (GIL; BUSSEN, 2013).

Nesse caso, uma atividade sugerida ao Psicopedagogo é mostrar alguns objetos ao 

indivíduo, de preferência objetos variados e retirá-los de sua vista e pedir que o indivíduo 

conte uma história com todos os objetos anteriormente memorizados. Por vezes, a 

história pode ficar estranha, mas normalmente o indivíduo se lembra, pois essa estranheza 

é uma forma de associação reconhecida em nosso cérebro.

Barbosa, Castro e Garcia (2013) relatam que essa associação ocorre quando o indivíduo

pensa, sente, olha, cheira, ouve e aciona mecanismos do sistema nervoso central que 

processam uma informação para dar uma resposta. Dessa forma, essa percepção, fica 

memorizada dependendo da importância, do seu sentimento emocional e do grau de 

atenção do conhecimento, esse já adquirido anteriormente, bem como a capacidade de 

compreensão de novos elementos.

Gil e Busse (2013) ainda relatam que uma pessoa sem problemas de memória consegue 

guardar informações relativamente detalhadas, permitindo resgatar o passado e o presente 

com maior precisão. No entanto, o indivíduo com problemas de memória, não tem a 

chance de recordar tantos detalhes, mas com o treino constante de técnicas, há maior 

possibilidade de amenizar a situação. Portanto, é necessário para estes, aumentar o tempo 

20 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

de análise do material a ser memorizado e o número de repetições de cada informação 

aprendida. Dessa forma, a probabilidade de recordação é bem maior.

Outro detalhe dado por Gil e Busse (2013) é que o indivíduo deve estar alerta e disposto a 

fazer a atividade, caso contrário, não se terá o objetivo alcançado.

A medicação usada pela pessoa também deve ser levada em consideração, pois, alguns 

remédios reduzem a capacidade de memorização do indivíduo. Caso o mesmo tenha 

problemas de memória e esteja tentando aprender algo novo, a dica é distribuir as 

oportunidades de aprendizagem ao longo do tempo (GIL; BUSSE, 2013).

No caso do indivíduo idoso, deve-se sempre respeitar o seu tempo de aprendizagem, a 

maioria deles não tem pressa de aprender e prefere que essa aprendizagem seja feita de 

forma tranquila, conseguindo assim, assimilar melhor as atividades. 

Outra forma é trabalhar exercícios e jogos para estimular as diversas áreas cerebrais, tais 

como: memória, criatividade, inteligência, raciocínio lógico, visão espacial e noção 

A criatividade, quando bem utilizada, enriquece os recursos da memória na área de 

apreensão e percepção da realidade na elaboração de novos recursos, trazendo novas 

Ostrower (2009) relata que a criatividade não está somente atrelada à arte, o processo 

criativo, está relacionado ao convívio social que o indivíduo tem, ou seja, o 

Psicopedagogo deve estimular a socialização e a criatividade, em um idoso 

principalmente quando este trabalha em uma terapia grupal.

Os trabalhos com o raciocínio lógico, inteligência e visão espacial já são mais elaborados, 

quando são feitos com jogos que treinam o cérebro, segundo Batllori (2004). O lúdico, 

além de ser uma atividade muito prazerosa, desenvolve a imaginação, as habilidades 

manuais, o raciocínio verbal, visual, abstrato e lógico. Além disso, os jogos criam um 

ambiente extremamente favorável para a socialização.

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Outro fator essencial é o desempenho cognitivo em conjunto com a psicomotricidade ou 

gerontomotricidade para os gerontólogos, pois interfere positivamente no processo do 

envelhecimento se trabalhados em grupo. 

Dessa forma, o Psicopedagogo deve atuar com a premissa de que os idosos devem ser 

participativos, críticos, criativos e úteis no contexto social. As atividades de motricidade 

devem ser atrativas, variadas e respeitando os limites de cada um (BARROS, 2000). 

Lima (2007) afirma que as atividades psicomotoras estimulam o raciocínio e possibilitam 

recursos ilimitados de ações. Ainda informa que exercícios de estimulação de esquema e 

imagem corporal, movimentos leves, dança, expressão corporal, técnicas de relaxamento, 

massagens e atividades de psicomotricidade fina ajudam no bem estar do idoso.

Barbosa e Cabral (2013) complementam descrevendo que a atividade física, além de 

contribuir para aumentar a capacidade funcional, poderá superar limites nas inúmeras 

expectativas de vida e aumenta a possibilidade de um indivíduo idoso ativo, sendo ele 

capaz de tomar decisões próprias.

De acordo com Barbosa e Cabral (2013), a prática da atividade física proporciona ao 

idoso a relação interpessoal e a consciência de ainda ter um corpo ativo e capaz de 

estabelecer contatos, influenciando também na forma como os idosos observam os seus 

Sendo assim, é importante salientar que este trabalho é multidisciplinar, onde a 

fisioterapia e a psicomotricidade visam o bem estar do idoso.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo profundo sobre a ação psicopedagógica 

junto à velhice e transpor os conceitos ainda vigentes sobre ela.

O papel do Psicopedagogo é dar condições para o indivíduo desafiar a mente através de 

mecanismos de ativação da memória, usando as habilidades cognitivas e trabalhando a 

associação de técnicas para reter informações e lembrar-se de fatores específicos na 

memória, reforçando assim, a capacidade e a habilidade do idoso.

22 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

Tais estratégias cognitivas trazem ao idoso a conquista da autoconfiança, resgatam a 

autoestima e auxiliam na saída da zona de conforto mental. Portanto, é possível concluir 

que mesmo que o cérebro tenha uma redução cognitiva considerável com o 

envelhecimento, o aprendizado sempre será um meio de sobrevivência importante e 

possível, independente da idade.

Sendo assim, estimulando a mente e o corpo, promovemos longevidade nos estágios 

iniciais do declínio cognitivo e mantemos a memória ativa.

Dessa forma, a Psicopedagogia pode e deve contribuir com as possibilidades 

interventivas preventivas.

AGRADECIMENTOS

Agradeço aos meus familiares, amigos e pelo incentivo de minha pesquisa.

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24 A atuação Psicopedagógica com as habilidades cognitivas na terceira idade

Thaís Juliana de Barros
Aluna da Pós-Graduação de Psicopedagogia 

Tais Ciboto
Professora Adjunta da Pós-Graduação 

da Universidade Anhanguera de Osasco